HISTOLOGIA

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1. Origem dos tecidos

Todos os tecidos que formam o corpo humano originam-se de uma única célula, o zigoto, resultante da fecundação. Essa célula tem a potencialidade para produzir todos os tipos de células dos diferentes tecidos do futuro organismo.
Nos dias que se seguem à fecundação, o zigoto sofre mitoses, produzindo uma massa de células iguais e chega ao útero em aproximadamente quatro dias. Ela flutua livremente no útero e é nutrida por secreções uterinas enquanto se desenvolve até a forma embrionária denominada blastocisto, um corpo esférico oco que se implanta na parede uterina. A partir do implante começam a se formar camadas de células. Inicialmente duas camadas, uma externa e uma interna, e logo em seguida uma terceira camada intermediária.
A fase de formação das três camadas é conhecida como gastrulação, caracterizada por um intenso crescimento e diferenciação celular, que produz ao final de três semanas de gestação os três folhetos embrionários, origem de todos os tecidos.
O processo de diferenciação celular consiste na ativação de alguns genes e desativação de outros, coordenando alterações bioquímicas, fisiológicas e morfológicas, para formar os diversos tipos de células que caracterizam os diferentes tecidos.
Os tecidos podem ter um tipo básico de célula com funções específicas, ou várias populações celulares com diferentes funções, executando como um todo uma função mais ampla, como o sangue, com seus diversos tipos de células.

1.1
Folhetos Embrionários

A partir da segunda semana de gestação, inicia-se a formação de
camadas de células que servem como matriz para o desenvolvimento de todos os tecidos e sistemas do organismo. As primeiras camadas ou folhetos embrionários a se desenvolver são: o ectoderma, folheto mais externo e endoderma, mais interno. O desoderma, folheto intermediário, forma-se logo após os dois primeiros. Na terceira semana de gestação, já temos os três folhetos desenvolvidos, cada um deles dando origem a determinados tecidos e órgãos.
-Ectoderma:
Tecido epitelial e estruturas anexas, como glândulas, cabelo e unhas.
Tecido nervoso.
-Mesoderma : produz a maior parte dos tecidos:
Tecido ósseo, Tecido cartilaginoso, tecido muscular, tecido sanguíneo
Rins, vias urinárias e gônadas.
Obs. É interessante observar que assim como na embriologia o rim e os ossos têm a mesma origem, na medicina tradicional chinesa ambos estão relacionados no movimento água, extremo Yin.
-Endoderma:
Mucosas do trato digestivo e vias respiratórias
Revestimento interno da bexiga e uretra
Ouvido médio e tubaauditiva.

O primeiro trimestre de gestação caracteriza uma fase muito importante na vida do embrião, a partir dos três folhetos embrionários, o zigoto se diferencia num organismo. São estabelecidas as primeiras divisões do sistema nervoso, o sistema cardiovascular se organiza e começam os batimentos cardíacos. Tem início a hematopoese, produção de sangue. Formam-se os brotamentos dos membros, o esqueleto cartilaginoso e os precursores dos músculos. As gônadas se diferenciam e o estômago e intestino tornam-se reconhecíveis. Esse processo é conhecido por organogênese.

CÉLULAS – TECIDO – ÓRGÃOS-SISTEMAS-CORPO HUMANO.

1.2
Especialização celular.

As células destinadas a desempenhar funções específicas nos
tecidos especializam-se pormeio de alterações determinadas pelos gens.
A forma das células e o tipo de organelas que se apresentam em maior abundãncia variam de acordo com a especialização. Exemplo: células do tecido muscular, com metabolismo ativo, são ricas em mitecondrias, células de defea que realizam fagocitose, como os macrófagos, são ricas em vacúolos digestivos e lisossomos.


Algumas das principis células são:
-Célula epitelial
célula dos tecidos de revestimento, pele e mucosas. São justapostas, sem espaço intercelular ntre elas, e invaginam-se da superfície para formar estruturas glandulares especializadas em secreção.
-Células de Schwann
células que envolvem os axônios, formando uma capa protetora para os nervos chamada bainha de mielina.
-Osteócitos
células do tecido ósseo envolvidas na manutençãod matriz óssea. São fusiformes e ficam encarcerados na matriz óssea mineralizada.
-Condrócitos células do tecido cartilaginoso, possuem forma arredondada e produzem a matriz cartilaginosa, composta de fibras colágenas, elásticas e proteoglicans.
-Fibroblastos
células do tecido conjuntivo, sintetizam fibras colágenos e elásticas. Sua forma é alongada e regular.
-
Mastócitos
células do tecido conjuntivo, de forma arredondada. Participam da função imunológica, produzindo a resposta alérgica. Rica em heparina e histamina.
-Eritrócitos, hemácias ou glóbulos vermelhos
células que transportam o oxigênio no sangue, são ricas em hemoglobinas. Não possuem núcleo e sua forma é bicôncavo.
-
Leucócitos ou glóbulos brancos do sangue
células de defea, realizam a fagocitose e possuem enzimas que destroem bactérias. Movimentam-se por pseudópodos, não apresentando forma definida.
-
Plasmócitos
derivam de glóbulos brancos e produzem anticorpos.

II. Tipos de tecido

As diversas partes do corpo são formadas por células que diferenciam-se em grupos durante o desenvolvimento embrionário. Dá-se o nome de tecido ao conjunto de células semelhantes entre si, que realizam a mesma função e têm a mesma origem embrionária. Quatro tipos fundamentais de tecidos formam ocorpo humano: tecido epitelial, tecido conjuntivo, tecido muscular e tecido nervoso.

II.1
Tecido epitelial:

O tecido epitelial é um tecido de revestimento e proteção do organismo, desempenhando ainda funções de absorção, excreção e secreção. Participa da constituição da pele formando a epiderme, reveste vários órgãos como o tubo digestivo, os vasos sanguíneos, as vias respiratórias e o sistema gênito-urinário. Associa-se ao tecido conjuntivo para formar membranas que revestem cavidades que se abrem pra o exterior como a mucosa gástrica e bucal, e membranas que revestem cavidades fechadas, chamadas serosas, pleura (envolve os pulmões), pericárdio (envolve o coração) e peritônio (envolve o estômago e os intestinos). Os epitélios glandulares secretam substãncias como o suor,o sebo, lágrimas, muco, leite e sucos digestivos.
Suas células são justapostas, com pouquíssima substância intercelular entre elas, e podem se dispor em várias camadas: a mais externa é livre e comunica-se com o exterior ou com a luz dos tubos, a maioria interna, em geral, ancora-se sobre uma membrana basal que separa o tecido epitelial do tecido conjuntivo subjacente. Não possuem vasos sanguíneos, recebendo nutrição por difusão dos vasos do tecido conjuntivo subjacente.

II.2
Tecido conjuntivo
:


O tecido conjuntivo envolve um grupo de tecidos especializados em desempenhar inúmeras funçõese está profundamente distribuído no organismo, estabelecendo conexões entre diferentes tecidos e órgãos. Os tipos de tecido conjuntivo são: tecido conjuntivo propriamente dito, tecido ósseo, tecido cartilaginoso, sangue e linfa. Todos derivam do mesênquima, primeiro tecido de sustentação e preenchimento do embrião, e conservam características comuns: são formados por células distanciadas uma das outras, mergulhadas numa substância intercelular muito abundante chamada substância fundamental.

No sangue essa substância intersticial é líquida, possibilitando o transporte de alimentos, gases e catabolitos. No tecido conjuntivo propriamente dito, é gelatinosa contendo fibras protéicas (colágenas e elásticas) que lhe confere resistência e elasticidade. Nos tecidos conjuntivos de sustentação, como o tecido ósseo, a substância fundamental, além de muitas fibras, tem consistência sólida, encontrando-se impregnada de cálcio e fósforo.

Tecido conjuntivo propriamente dito


É o te cido conjuntivo típico, de consistência gelatinosa, constituindo uma verdadeira malha que abrange todo o corpo. Forma a fáscia superficial, que localiza-se imediatamente sob a pele e a fáscia profunda que envolve todo o sistema muscular, desempenhando uma função metabólica considerável.Desdobra-se organizando os músculos em grupos funcionais. Envolve cada músculo individualmente (epimísio), os feixes de fibras musculares (perimísio) e cada fibra individualmente (endomisio). Todas essas camadas se projetam além das extremidades dos músculos, formando tendões que se inserem no periósteo, tecido conjuntivo fibroso que envolve os ossos, ou aponeurose que connectam os músculos a outros músculos ou a pele. Esse conjunto de membranas interliga todas as estruturas transmitindo a menor tensão, o menor deslocamento segmentar a todo corpo, conferindo a este uma unidade absoluta.


Outra função do tecido conjuntivo é de manter órgãos e vísceras nos seus lugares adequados e constituir uma estrutura de suporte para os vasos sanguíneos, vasos linfáticos e nervos. Pelo fato de ser sempre perpassado por vasos sanguíneos e linfáticos, desempenha papel importante na nutrição e defesa das células em geral.

Há três tipos de componentes no tecido conjuntivo: substância fundamental, fibras e células. A substância fundamental é constituída de uma parte amorfa, que inclui água, polissacarídeos e proteínas e de uma parte figurada, formada por três tipos de fibras colágenas, elásticas e reticulares.

As fibras colágenas são formadas pela proteína colágeno e encontram-se em quase todos os tipos de tecido conjuntivo, são muito abundantes nos tendões e ligamentos conferindo resistência a essas estruturas constantemente submetidas à tração. As fibras elásticas são mais finas que as colágenas, sua proteína é a elastina e conferem maleabilidade ao tecido, cedendo a estiramento. As fibras reticulares possuem composição química semelhante ao colágeno, porém são mais finas e raras e se dispõem de forma entrelaçada.

As células conjuntivas mais comuns são: os fibroblastos, cuja atividade envolve a síntese das fibras e os polissacarídeos da substância fundamental. Os macrófagos, células fagocitárias que participam da defesa do organismo, englobando e destruindo invasores. Os mastócitos que produzem heparina (anticoagulante) e histamina (substância liberada em reações alérgicas e inflamatórias). Os plasmócitos e leucócitos que produzem anticorpos, e as células adiposas onde se deposita a gordura de reserva. Pelos tipod de células do tecido conjuntivo podemos perceber sua importância para a defesa do organismo.
Tecido cartilaginoso
É um tecido de consistência rígida, porém mais elásticos e menos resistente que o tecido ósseo. Juntamente com este, compõe o sistema de sustentação do organismo.

As cartilagens revestem as superfícies ósseas das articulações diminuindo o atrito entre essas estruturas na realização do movimento. Formam os discos intervertebrais, os meniscos dos joelhos, as cartilagens costais que articulam as costelas ao esterno e permitem a expansibilidade torácica. Estão presentes em estruturas como o septo nasal, os anéis da traquéia auricular.

Nos embriões o esqueleto é cartilaginoso e aos porcos vai se ossificando, a partir dos centros de ossificação que progridem gradualmente para formar o esqueleto ósseo.

A cartilagem é formada por substância fundamental, fibras colágenas e elásticas e as células típicas do tecido que são os condrócitos. É um tecido sem vascularização, dependendo do pericôndrio, um tecido conjuntivo denso adjacente, para sua nutrição que se faz por difusão. Nas articulações sinoviais e nutrição da cartilagem dependendo do líquido sinovial, secretado pela membrana sinovial.



Tecido ósseo:


É o tipo de tecido conjuntivo mais rígido do corpo, caracteriza-se por conter a substância fundamental chamada matriz óssea, mineralizada e spolida, o que lhes permite sobreviver à moret por muitos anos.

A matriz óssea contém uma parte orgânica, formada por água, proteínas e fibras colágenas, e uma parte inorgânica, formada por fosfato de cálcio, fosfato de magnésio e carbonato de cálcio. Os minerais conferem dureza aos osos , enquanto as fibras colágenas lhes conferem flexibilidade e resistência.

No tecido ósseo existem três tipos de células: osteoblastos, osteócitos e osteoclastos. Os osteoblastos atuam na deposição dos osssos, sua modelação e reparação em caso de fratura, localizam-se na periferia do osso, entre o periósteo e o osso ou entre a medula e o osso. Sua primeira função é secretar as substãncias orgânicas da matriz óssea.

Os osteócitos são osteoblastos encarregados pela matriz óssea. O osteocito maduro não secreta mais matriz, porém está envolvido em sua manutenção. Sua nutrição é realizada pelo canais de Havers. Os osteoclastos são células maiores que os osteoblastos, também se localizam na periferia da matriz óssea e sua função é reabsorver o osso existente, impedindo-o de tornar-se excessivamente grosso ou pesado.

A deposição óssea depende de alguns fatores: de um suprimento basal de cálcio na infância e nas mulheres na menopausa, da vitamina D, que atua na absorção do cálcio, da pressão a que os ossos se encontram submetidos. Quanto maior a pressão, maior a deposição para compensar o constante processo de reabsorção óssea pelos osteoclastos. Os ossos sem uso tendem, portanto, a ser consumidos pela perda de massa óssea, por isso recomenda-se exercícios para prevenir a osteoporose. Um dos fatores que atuam na reabsorção de cálcio é o hormônio paratireoídiano, que causa aumento da atividade dos osteoclastos, com concequente aumento dos níveis sanguíneos de cálcio.

Existem dois tipos de tecidos ósseos ocorrendo ao mesmo tempo num mesmo osso, o compacto, onde a matriz óssea ocupa todos os espaços, e o esponjoso, onde trabéculas de tecido ósseo encontram-se entremeadas com a medula óssea.

A medula óssea pode ser vermelha ou amarela. A vermelha é formada por tecido hematopoetico e sua principal função é a formação de eritrócitos, leucócitos e outra células do sangue. Possui células em todos os estágios de desenvolvimento. Na infância é abundante nas estremidades do úmero e do f~emur, porém diminui com o passar dos anos. Nos adultos somente o esterno, os ilíacos, as costelas e os corpos das vértebras mantém a função hematopoética. A medula amarela é um tecido conjuntivo formado principalmente de células adiposas.

Os ossos são revestidos externamente pelo periósteo, uma membrana de tecido conjuntivo fibroso, inervada e vascularizada, com capacidade osteogênica, que se conecta ao osso por fibras colágenas. As superfícies articulares não são revestidas por periósteo, mas por cartilagem hianina. Todas as cavidades ósseas, incluindo a cavidade medular do osso longo, os espaços medulares do osso esponjoso e os canais haversianos (descritos adiante), são revestidos por uma membrana fina com capacidade hematopoética e osteogênica chamada endosteo.

A vascularização do osso compacto depende de um sistema de canais conhecidos como sistema de Havers. Os canais de havers paralelos à superfície do osso, contém vasos sanguíneos em seu interior, são circundado por anéis concêntricos de osso compacto, entre os quais existem lacunas preenchidas por osteócitos, que se comunicam entre si e com os canais centrais por meio de canalículos. Os vasos sanguíneos nos canais de havers se comunicam com os vasos da superfície do periósteo e endósteo por meio de canais transversais e oblíquuos.


Tecidos conjuntivos especiais: tecido adiposo,
sangue e
tecido linfóide



O tecido adiposo é um tecido conjuntivo frouxo que contém células mesenquímais, fibroblastos, mastócitos, histiócitos e células adiposas. A célula adiposa possui núcleo, retículo endoplasmático, membrana celular, mitocôndrias e grandes gotas de gordura. Esse tecido forma a gordura subcutânea que dá suporte aos órgãos, aos feixes de fibras musculares, nervos e vasos sanguíneos. Isola o corpo protegendo-o da perda excessiva de calor ou o aumento excessivo de temperatura. Encontra-se também na medula óssea amarela e na mama.

O sangue é um tecido líquido que circula pelo corpo, transportando O2, nutrientes, hormônios e anticorpos, e removendo CO2 e outros produtos do catabolismo. É constituído por hemácias, leucócitos e plaquetas em suspensão no líquido denominado plasma, formado de água, proteínas, hormônios, enzimas, etc. As hemácias funcionam no transporte de 02 e CO2, os leucócitos na imunidade, e as plaquetas na hemostasia, processo de coagulação. As proteínas plasmáticas incluem as albuminas, que servem como proteína transportadoras para lipídeos e hormônios esteróides, e atuam na manutenção do equilíbrio hídrico do organismo, as imunoglobulinas, que participam da função imunológica, e o fibrimogênio, que atua na formação de coágulos.

O tecido linfóide é encontrado nos linfonodos, timo, baço e tonsilas, nas membranas mucosas e nos tratos digestivo e respiratório. Desempenha um papel muito importante na função imunológica.

II.3
Tecido nervoso



O tecido nervoso origina-se no ectoderma e forma o sistema nervoso, que se distribui por todo o corpo, formando uma rede de comunicação que coordena o funcionamento dos órgãos e sistemas, além de permitir a relação do indivíduo com o meio.

Sua estrutura compreende basicamente dois tipos de células: os neurônios e a neuroglia. Os neurônios são as células nervosas propriamente ditas, cuja função consiste em receber, processar e transmitir informações. A neuroglia compreende células que ocupam os espaços entre os neurônios proporcionando sustentação, revestimento, defesa, nutrição e modulação da atividade neuronial.

Os neurônios são células altamente excitáveis que se comunicam entre si ou com células efetuadoras (musculares e secretoras) por meio de modificações do potencial de membrana, caracterizando uma linguagem elétrica. São formados porum corpo celular e por prolongamentos. O corpo celular é o centro metabólico da célula contendo núcleo e citoplasma, rico em organelas especializadas em síntese, ribossomas, retículo endoplasmático, complexo de Golgi e mitocôndrias. A célula nervosa sintetiza substâncias conhecidas como neutransmissores que participam como mediadores químicos na transmissão doimpulso nervosos. Alguns deles são a acetilcolina, que atua na contração muscular, a adrenalina e noradrenalina, mediadores químicos do sistema nervoso simpático, a dopamina e as endorfinas, que inibem a dor, entre outras.

Do corpo neuronal partem prolongamentos axônio e dendritos. O axônio é um prolongamento único, longo e fino, também chamado de fibra nervosa.Apresenta comprimento variável dependendo do tipo de neurônio, pode ter, na espécie humana, de alguns milímetros a mais de um metro, como no nervo isquiático. Especializa-se na geração e condução do impulso nervoso. O local do axônio onde o primeiro impulso é gerado chama-se “zona de gatilho”. A porção final do axônio, o telodentro ou terminal axônio, é muito ramificada e estabalece conexão com outros neurônios ou células efetuadoras. Os nervos são formados por feixes de fibras nervosas (axônio) que saem do troncoencefálico, da medula espinhal ou de gânglios sensitivos.

Ao contrário do axônio, que é especializado na transmissão de estímulos, os dendritos são ramificações curtas, especializadas na recepção de estímulos do meio ambiente, de células sensoriais ou de neurônios, transmitindo-os ao corpo celular.

Os neurônios podem ser multipolares, bipolares e pseudo-unipolares. Os multipolares possuem vários dendritos e um axinônio. A amioria dos neurônios são desse tipo. Os bipolares possuem um axônio e um dendrito, como os neurônios da retina e dogânglio espiral do ouvido interno. Os neurônios pseudo-unipolares possuem um único prolongamento que deixa o corpo celular, situado nos gânglios sensitivos do sistema nervoso periférico e divide-se em dói ramos, como num T. O primeiro dirige-se à periferia, onde forma a terminação nervosa sensitiva especializada em transformar estímulos físicos ou químicos em potenciais elétricos, o segundo dirige-se ao sistema nervoso central onde estabelece conexão com outros neurônios (ver sistema nervoso). Quando à função que desempenham no sistema nervoso, os neurônios podem ser motores – controlam órgãos efetores, como as fibras musculares e as glândulas, sensoriais – recebem estímulos sensoriais do meio ambiente e do próprio organismo; interneurônios – estabelecem conexões entre outros neurônios, formando circuitos completos.

A neuroglia ou células da glia são responsáveis pelo processo de formação da bainha de mielina que se inicia no final do desenvolvimento fetal e estende-se pelo primeiro ano pós natal. Consiste no revestimento das fibras nervosas do sistema nervoso central e periférico por uma bainha isolante formada basicamente de fosfolipideos e proteínas que permite a condução mais rápida do impulso nervoso. No sistema nervoso central, a bainha é formada por células chamadas oligodendrócitos e no periférico por células de Schwann. As células de Schwann se colocam ao longo do comprimento do axônio, interrompendo-se a intervalos mais ou menos regulares, onde a membrana do axônio fica exposta para permitir a despolarização. Esses intervalos chamam-se módulos de Ranvier. A condução do impulso nervoso nas fibras mielínicas é saltatória, isto é, salta de um nódulo de Ranvier para outro, sem ter que percorrer toda a membrana do axônio, cujas partes protegidas pelas células de Schwann permanecem isoladas. Os grandes nervos como o isquiático ou ciático, o radial, o mediano e outros, são mielínicos. Nesses nervos, em caso de injúrias, as células de Schwann atuam na regeneração das fibras nervosas.

Embora a maoir parte das fibras nervosas sejam mielinizadas, encontram-se no sitema nervoso periférico, fibras finas, amielínicas, que conduzem o impulso nervoso com baixa velocidade, pois a despolarização deve ocorrer ao longo de toda a fibra já que a ausência de mielina impede a condução saltatória pelos nódulos de Ranvier.


Origem e propagação do impulso nervoso
Quando o neurônio sofre um estímulo externo, ocorre uma alteração de grande amplitude (70-110mV), do tipo “ tudo ou nada”, no mecanismo de permeabilidade na membrana plasmática do axônio, iniciando-se na “zona de gatilho” e propagando-se ao longo de todo o axônio, conservando a mesma amplitude até atingir a terminação axônica, os telodendros, onde ocorre a sinapse, isto é, a transmissão do estímulo para outro neurônio ou para células dos músculos ou glândulas.

Anteriormente a estimulação, o neurônio encontra-se em repouso.

A membrana axônica em repouso apresenta cargas positivas externamente e cargas negativas internamente, omo as demais células. Essas diferentes cargas formam um potencial ou ddp de -70 a -60 mV, chamado de “potencial de membrana” ou “ potencial de repouso”.

O potencial elétrico da membrana deve-se a bomba de sódio e potássio, que expulsa os íons sódio (Na+) do citoplasma com gasto de energia (ver transporte de substâncias através da membrana), fazendo com que a parte externa da membrana se torne positiva e mantém no interior da membrana os íons de potássio (K+). Embora os íons de potássio possuam crga positiva, as cargas negativas predominam no interior da membrana devido aos ínions provenientes da hidrolização de proteínas. Assim, a parte externa da membrana é positiva em relação à parte interna.

Qualquer fator que altere a permeabilidade da membrana do neurônio, anulando o mecanismo de transporte ativo da bomba de sódio e potássio, tornando-a permeável aos íons de sódio, produz um “potencial de ação”.

Quando o “potencial de ação” é produzido, ocorre a “despolarização” da membrana axônica, que abre seus canais de sódio, permitindo que esse íon entre por difusão para o interior da membrana, o que o torna positivo no interior e negativo no exterior.

Imediatamente após o fechamento dos canais de sódio (1 milissegundo), abrem-se os canais de potássio, que passa por difusão para a face externa da membrana, provocando a “repolarização”. A membrana torna-se novamente positiva na sua face externa.

Essas ondas de despolarização e repolarização se propagam por toda a membrana do axônio, nas fibras amielínicas, ou saltam de um nódulo de Ranvier para outro, nas amielínicas, até atingir os telodendros.

Após a pasagem do impulso, o transporte ativo restabelece a situação normal de sódio (Na+) para fora e potássio (K+) para dentro da célula, ou seja, o potencial de repouso.

É por meio desse mecanismo que op estímulo nervoso se traduz numa linguagem elétrica.
Transmissão sináptica
Os impulsos nervosos são levados de um neurônio a outro em junções especializadas, denominadas sinapse.

Os telodendros formam na sua extremidade botão terminal provoca alteração no potencial de membrana, desencadeando a abertura de canais de cálcio (Ca++) que se difundem para o interior do botão, provocando uma série de reações que culminam com a aproximação e fusão das vesículas contendo neurotransmissores (vesículas sinápticas), com a membrana do botão terminal (membrana pré-siníptica). O mediador químico (neurotransmissor) é então liberado pelas vísiculas sinápticas na fenda sináptica, espaço que separa a membrana pré-sináptica da membrana de outro neurônio ou célula efetuadora (membrana pós-sináptica). A membrana pós-sináptica possui receptores específicos para o mediador químico e, ao recebe-lo, sofre despolarização.

Quando o elemento pré-sináptico é a terminação axônica de um neurônio motor somático, cujo corpo se localiza na medula espinhal ou no trosco encefálico e a célula efetuadora é a fibra muscular esquelética, temos uma junção mioneural ou placa motora.


TUDO NO SISTEMA NERVOSO É DE NATUREZA ELETROQUÍMICA.


II.4
Tecido muscular


O tecido muscular se origina no mesoderma e é classificado em três tipos, de acordo com suas características morfológicas e funcionais: liso, estriado cardíaco e estriado esquelético. O músculo liso é formado por aglomerados de células fusiformes, sem estrias transversais, seu processo de contração é lento e in volutário e suas células regeneram-se com facilidade. Por exemplo, bexiga, intestino, etc.

O músculo estriado cardíaco apresenta estrias transversais, é formado por células alongadas e ramificadas que se unem às células vizinhas formado uma rede. A contração involutária é vigorosa e rítimica. Não se regenera. O músculo estriadoesquelético é formado por feixes de células longas e multinucleadas com estriações transversais. Tem contração rápida e vigorosa com controle voluntário; regenera-se parcialmente.

Os músculos constituem de 40% a 50% do peso do corpo. Quando se contraem afetam o movimento do corpo como um todo: o movimento do sangue (circulação), dos alimentos, através do trato digestivo (peristalse); da urina, através do trato urinário; e do tórax e abdômen, durante a respiração. As duas palavras-chaves quando tratamos dos músculos são: contração e movimento.

A célula muscular esquelética é chamada fibra muscular. Possui o comprimento muito maior que a largura. É multinucleada, rica em mitocôndrias, organelas que contém o sistema enzimático responsável pela produção da maior parte do ATP na célula – o ATP constitui a fonte direta de energia para a contração muscular. Contém ainda a mioglobina, proteína que funciona como reserva de oxigênio e dá cor avermelhada ao músculo
FIBRA MUSCULAR
Cada fibra encontra-se envolvida por uma membrana eletricamente polarizada chamada sarcolema, que emite invaginações em forma de túbulos, aumentando a superfície da célula, que sofrera despolarização em função do estímulo nervoso.

Dispostos longitudinalmente, circundando a fibra muscular, encontramos o retículo sarcoplasmático, organela que armazena íons de cálcio. A invaginação do sarcolema formando um túbulo transversal (túbulo T), juntamente com os retículos sarcoplasmáticos, que se fundem nas suas proximidades formando um apr de cisternas transversas, constituem um sistema chamado tríade muscular. A tríade muscular é importante funcionalmente, pois a associação íntima entre os dois sistemas (túbulos T e retículo sarcoplasmático) capacita os túbulos a funcionarem como um conduto do impulso elétrico para o retículo sarcoplasmático.

Quando o impulso elétrico alcança o túbulo T provoca a libertação de íons de cálcio mantidos no retículo sarcoplasmático pelo mecanismo de transporte ativo para o sarcoplasma circundante. Os íons de cálcio se difundem rapidamente para a região das miofibrilas, dando início à série de reações qu´micas que culminam na contração muscular.

As miofibrilas são as unidades contráteis da fibra muscular. Dividem-se em filamentos espessos e finos. Os primeiros são compostos, em grande parte, pela proteína miosina, e os últimos de três proteínas actina, troponina e tropomiosina.

Nas fibrilas musculares, os filamentos espessos e delgados estão organizados de forma paralela, encaixando uns nos outros e formando grupos denominados sarcômeros. Os sarcômeros apresentam bandas claras e escuras.

A banda escura é chamada de banda A e apresenta superposições de filamentos espessos e finos (miosina e actina). No centro dessa banda existe uma faixa H, formada somente de filamentos espessos (miosina). A banda clara é chamada de banda I, e formada somente por filamentos finos, divididos em duas partes por uma linha Z e abrange sequentemente metade de uma banda I, uma banda A com faixa H, metade de outra I.

A contyração muscular ocorre em função do deslizamento dos filamentos finos – actina, troponina e tropomiosina – em direção ao centro do sacôrnero promovendo seu encurtamento.

Os músculos possuem ainda estruturas que controlam a contração muscular e regulam o tônus muscular. São chamados de fusos musculares e consistem de um tipo de fibra muscular diferenciada contento terminações nervosas sensitivas e motoras.


MÚSCULO – FEIXES DE FIBRAS MUSCULARES – FIBRA MUSCULAR – MIOFIBRILAS
Junção neuromuscular ou placa motora
A junção neuromuscular ou placa motora é a conexão entre os botões terminais da fibra nervosa de um neurônio motor, cujo corpo se localiza na coluna anterior da medula espinhal e a membrana celular (sarcolema) da fibra muscular esquelética.

Cada fibra muscular esquelética possui apenas uma placa motora, com exceção de 2% das fibras. Cada neurônio motor inerva um número variado de fibras musculares espalhadas ao longo do músculo; o conjunto de fibras inervado por uma única fibra nervosa motora recebe o nome de unidade motora. Esse conceito é importante, pois para um músculo aumentar gradativamente a força que exerce num determinado movimento é necessário o recrutamento crescente de unidades motoras até a tensão máxima, quando quase todas as unidades estão sendo estimuladas. As unidades motoras governam movimentos sofisticados como os dos dedos das mãos, são caracterizados por poucas fibras musculares para cada célula nervosa; as que controlam movimentos grosseiros, por muitas fibras musculares por fibra nervosa.